quinta-feira, março 13

Peer Support for Ph.D. Students

Ter recebido uma mensagem do meu Orientador, relembrou-me o que esteve na origem dos TETs. Na altura encontrava-me a desenvolver o meu trabalho de mestrado e sentia muitas vezes falta de alguém com quem partilhar as minhas dúvidas, questões e também angústias.

Sabia que podia contar sempre com a minha Orientadora, mas muitas vezes tinha algum pudor em lhe colocar as questões que me assombravam o trabalho... e o eterno receio de saber que o que tinha era curto. Outras vezes, por achar que o tipo de questões que me preocupavam não eram do âmbito da relação que se estabelece entre orientador-orientado.

Percebi, quer por relatos noutros blogs, quer nas conversas com outras pessoas que também se encontravam a desenvolver as suas teses, que, independentemente dos tópicos abordados, havia algo que nos unia: a necessidade de falarmos com pares, de forma informal e sem o receio de estarmos a ser avaliados ou a desperdiçar o tempo de orientação, com outras pessoas.

A nossa vida pessoal também não para quando estamos a fazer uma tese. Não só não para, como muitas vezes, a nossa vida pessoal acaba por ser contaminada com a exigência do nosso trabalho e o nosso trabalho contaminado com os imprevistos da nossa vida. Começar por perceber isso pode ser um passo significativo para nos lançarmos nas nossas investigações mas não chega.

Dado que o tempo de desenvolvimento de uma tese é longo, apesar de à partida estar estipulada a duração de 1 ano para mestrados e 3 anos para doutoramentos, esse tempo não corresponde à realidade.

Mesmo considerando que se cumprem esses prazos, no ciclo de vida dos indivíduos, durante esse tempo muitas variáveis concorrem com o desenvolvimento dos nossos trabalhos: uma criança que nasce, um familiar que se perde, um divórcio, uma mudança de casa, a mudança de emprego, [colocar aqui outras situações que vos sejam familiares].

Inicialmente os TETs encontravam-se 1 vez por mês, com uma agenda em que cada um dava conta dos progressos que tinha fixado na reunião anterior e contribuia com uma pequena sessão (cerca de 10 a 15 minutos) para partilhar algo que lhe interessava.

Nessas sessões houve quem partilhasse metodologias de trabalho, técnicas de análise de dados, instrumentos úteis, recursos com utilidade, eventos, drafts de artigos, dúvidas metodologicas e até situações que lhes pareciam becos sem saída nas suas investigações.
No final das sessões, e falo por mim, sentia que a minha abordagem, o meu trabalho tinham enriquecido. Mas mais do que isso, sentia que não estava só e que os meus problemas também eram os problemas de outros e, juntos, podiamos todos ganhar com essa partilha construtiva e sem medos.

Voltando ao início desta entrada, deixo aqui ficar o ponto de vista expressado através de uma lista de discussão de alguém que também anda há muito tempo nestas andanças. Ou seja, a ideia do espaço TET nem sequer era original ;-)
by Michael Kiparsky, a National Science Foundation Graduate Research Fellow in the Energy and Resources Group at the University of California at Berkeley: "The only way to finish your dissertation is through forward progress in the face of uncertainty. Fortunately, there is a secret weapon to guide you through the confusion, improve your writing, and help you spend your time wisely. It comes in the form of your peers." [para continuar a ler, ver aqui]

1 comentário:

CRebelo disse...

Entendo perfeitamente o que diz. Estou a trabalhar em Amsterdao, mudei-me há 4 meses e tenho um ano e meio para acabar uma tese de doutoramento em gestão. O mais díficil está a ser saber que estrutura adoptar, que métodos de análise de dados escolher e saber que já imensos artigos e tenho ainda imensos livros para ler e não saber se alguma vez vou conseguir chegar a algo que se pareça com uma tese!

Carla Rebelo